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Verticalização na Pampulha esbarra na falta de estrutura

Lívio Barbosa A possível verticalização da Pampulha – proposta pelo projeto de lei 1.579/07, do vereador Autair Gomes (PSC) – esbarra na falta de estrutura para coleta e tratamento do esgoto da região. Atualmente, a população da região da Pampulha – 150 mil habitantes – produz 18 mil litros de esgoto por minuto. Mas nem todo esse dejeto tem tratamento adequado. De acordo com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), do resíduo gerado pelas moradias e empresas existentes nos 49 bairros que formam a região, 75% é coletado e tratado. O restante ainda é despejado irregularmente. Mas dados como esses não são suficientes para que o vereador reveja o projeto. “Toda região que cresce terá problemas. Temos que pagar algum preço pelo progresso. Cabe à população fiscalizar se as leis que falam da destinação correta do esgoto estão sendo cumpridas. A poluição da lagoa da Pampulha é um problema antigo e não cabe discuti-la nesse momento. Ela também é causada pelo esgoto de outras regiões”, disse ontem Autair Gomes. Ontem, ele protocolou na Câmara um recurso contra a decisão do vereador e relator da Comissão de Meio Ambiente, Hugo Tomé (PMN), que deu parecer contrário ao projeto. Se o recurso for aceito, o projeto será discutido em plenário. Mas, se depender do vereador Hugo Thomé, o texto não será aprovado. Ontem ele pediu que o departamento jurídico da Câmara analise o projeto e aponte suas falhas. “Se chegar ao plenário temos argumentos e faremos uma mobilização suficiente para conseguir seu arquivamento”. Entre os argumentos para impedir a verticalização, o vereador ressaltou o despejo de esgoto clandestino na lagoa e o impacto no trânsito local. “Será uma nova cidade dentro de Belo Horizonte”, avalia. O projeto prevê a permissão de construção de prédios e a expansão do comércio na região, inclusive em algumas áreas na orla da lagoa da Pampulha. Estrutura Segundo o gerente do departamento operacional da Copasa para a região metropolitana, João Andrade do Nascimento, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Onça – para onde é encaminhado o esgoto coletado – está preparada para suportar um crescimento no volume do esgoto recebido. Mas, ainda que a estação esteja preparada para um possível aumento, há outros problemas estruturais a serem resolvidos. Atualmente, por exemplo, a existência da ETE não impede que os resíduos produzidos pelos moradores do bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, sejam despejados na lagoa do principal cartão postal da capital. Segundo Nascimento, isso acontece porque nem todas as casas possuem rede coletora ligadas ao sistema de captação de Copasa. Opinião Maioria quer preservação O aumento da prestação de serviços para os moradores da Pampulha e a necessidade de crescimento da região por meio da expansão do comércio, construção de prédios e de hotéis é o principal argumento do vereador Autair Gomes (PSC) na tentativa de aprovar o projeto. Moradores e associações que defendem os interesses da região já se mostraram contrários ao projeto, assim como a Administração Regional Pampulha. Ontem a reportagem ouviu moradores de outras regiões, que também fazem uso da lagoa da Pampulha para o descanso e lazer. A auxiliar de enfermagem Francisca Maurícia dos Santos, 56, do bairro Candelária (Venda Nova), teme a verticalização. “Até que ponto o progresso é bom?. Outro dia escutei uma criança pedindo ao pai para ficar observando a lagoa. Tenho medo que ela se acabe e cenas como essas não possam ser vistas daqui um tempo.” O auxiliar de serviços gerais Denilson Rodrigues Nunes, 25, do bairro Céu Azul ( Venda Nova) é contrário ao projeto. “Não gosto da associação crescimento com destruição de um patrimônio da cidade. Será que essa paisagem continuaria existindo daqui a 15 anos, cheia de prédios à sua volta.” Para a auxiliar de serviços gerais Amanda Monteiro Lima, 19, do bairro Santa Cruz (Nordeste), a verticalização com a construção de prédios residenciais iria tirar o sossego de quem mora ou freqüenta a lagoa. “O trânsito vai ficar intenso e o barulho inibiria o turismo”, acredita.