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Só 40% dos que procuram imóvel para alugar acham

Setor quer mais incentivo do governo para ampliar oferta Queila Ariadne Duas vagas na garagem, proximidade do trabalho, condomínio barato. Está tão difícil encontrar um imóvel para alugar em Belo Horizonte, que já não dá mais para bater o pé em exigências como essas. A cada dez pessoas que procuram casa ou apartamento com dois ou três quartos, só quatro conseguem fechar contrato, segundo estimativas do presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), Paulo Tavares. “A defasagem no mercado de locação chega a 60%, três vezes mais do que há dois anos, quando ela era de 20%”, destaca Tavares. O profissional de educação física Eduardo Pizzi está procurando um apartamento na região centro-sul há mais de um mês. Já deixou sua ficha em pelo menos quatro imobiliárias, mas até agora não encontrou nada que preencha suas expectativas. O objetivo inicial era o bairro Santo Antônio, mas como não encontrou nada lá, ele ampliou as possibilidades para bairros próximos como São Pedro e Serra. “Pode até ser que eu abra mão de algumas outras exigências como aumentar um pouco o valor que estou disposto a pagar, por exemplo”, confessa Pizzi. A explicação para a dificuldade do mercado de locação está na famosa lei da oferta e da procura. Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) mostram que o número de imóveis residenciais ofertados despencou 16% em relação ao ano passado. A última pesquisa da entidade mostra que de janeiro a maio deste ano foram ofertadas 1.619 unidades contra 1.932 no mesmo período do ano passado. O cenário se agrava porque no momento em que a oferta cai, a procura está em alta. De acordo com o diretor da área imobiliária do Sinduscon-MG, Bráulio Franco Garcia, a estabilidade econômica e o aquecimento da economia de Minas impulsionaram o interesse por imóveis. “Como o mercado da construção ficou estagnado nos últimos anos, com baixos índices de lançamentos, a demanda já estava represada e a atual oferta não foi suficiente para atender à procura crescente”, analisa Garcia. Na opinião do presidente do Creci-MG, a melhora da situação depende de incentivos do governo para estimular a construção de imóveis para a locação. “O ideal seria criar uma MP do Bem para o aluguel, uma medida interessante seria isentar o imposto de renda para quem comprar um imóvel com o objetivo de alugá-lo”, destaca Tavares. Equilíbrio. Se depender do volume de lançamentos de unidades residenciais, a tendência da oferta é de melhora, pelo menos para a residencial. Segundo levantamento do Sinduscon-MG, até maio deste ano foram lançados 33% a mais de imóveis, um total de 1.229 contra 924 unidades nos cinco primeiros meses de 2007. “Com isso, nos próximos dois ou três anos a oferta vai se equilibrar com a procura”, afirma o diretor da área imobiliária do sindicato da construção civil. Localização Perto de universidade é mais difícil Quem está pensando em se mudar no fim do ano já pode começar a procurar um imóvel. Principalmente se a intenção for morar próximo a uma universidade. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), Paulo Tavares, a partir de novembro a demanda chega a triplicar, motivada pelos vestibulares. “Está tão difícil encontrar imóveis nessas regiões, que o destino dos estudantes que vêm do interior serão os hotéis”, prevê Tavares. Geraldo Vargas é dono das imobiliárias GR e Brasil Imóveis, que atendem ao Buritis e ao Estoril, Oeste, onde estão localizadas a UNI-BH e a UNA. “Além dos vestibulares, muita gente é transferida nessa época e outras pessoas querem começar o ano mais perto do trabalho”, afirma. (QA) Oferta em baixa faz preços dispararem na capital mineira Se a procura é maior, o preço também é. Diante da falta de imóveis para locação, o custo está cada vez maior. O índice que reajusta o aluguel praticamente dobrou este ano. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), Paulo Tavares, ele subiu de 7,75%, em janeiro, para 15,1%, em agosto. “Um apartamento no Sion, de R$ 700, foi entregue e alugado por um novo locatário por R$ 1.200”, exemplifica Tavares. Em caso de renovação, a correção obedece ao índice estipulado no contrato. Para o fim do ano a expectativa de aumento é ainda maior. “Em regiões como a Pampulha, Coração Eucarístico e Buritis, por exemplo, os preços sobem até 50%, por causa das universidades”, destaca o empresário do ramo, Geraldo Vargas. (QA)

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