No contexto de uma economia em adaptação a novos parâmetros de competitividade e ajuste de preços relativos, o cenário inicial do setor de fabricação de materiais e componentes para a construção civil, antes da implantação do PBQP-H, permitia a observação das seguintes tendências:
- deterioração da qualidade dos produtos (nacionais e importados) e da atividade
comercial e degradação de alguns tipos de componentes e materiais, com grande dificuldade
na recuperação da imagem do produto;
- crescimento da atividade de não-conformidade intencional de alguns fabricantes que
desestabilizam, por efeito "dominó", grande parte do mercado. Esta atividade ilegal
beneficia somente alguns fabricantes, revendedores de materiais e construtores inescrupulosos, e
prejudica o usuário final da habitação.
Nos segmentos industriais direcionados para a produção de materiais de construção para habitação era possível observar, ainda, que:
- a tendência do mercado de concentrar-se, por um lado, em conhecidas marcas comerciais e,
por outro, em não-conformidade intencional;
- até 5% ou 10% da produção em não-conformidade, devido à
falta de capacitação tecnológica das empresas, não desestabiliza o mercado;
- poucas empresas com capacitação tecnológica e volume de produção
em não-conformidade intencional desestabilizam toda a qualidade do segmento;
O PBQP-H busca a reversão desse quadro, mediante o fomento à capacitação tecnológica das empresas que desejam produzir em conformidade com as normas técnicas e, dessa forma, combater a não-conformidade intencional de forma sistêmica.
Combate à não-conformidade
O combate à não-conformidade intencional em relação às normas
técnicas na fabricação de materiais e componentes para a construção
civil é um dos principais eixos do PBQP-Habitat.
De 1998 a 2002, foi definida a Meta Mobilizadora da Habitação, que previa a
elevação para 90% do percentual de conformidade dos produtos da "cesta
básica" de materiais de construção. Na atualidade, já existem
materiais que ultrapassaram a meta de 90% de conformidade, promovendo um ceneario de crescente
isonomia competitiva no setor da construção civil.
Os Programas Setoriais da Qualidade (PSQs)
Em articulação com as entidades representativas do setor privado, o PBQP-H estimula os fabricantes de materiais e componentes a elaborarem Programas Setoriais da Qualidade (PSQs). Atualmente, 26 materiais e componentes já contam com seus próprios PSQs.
2. O Governo Federal organiza sua atuação para estímulo à qualidade, apoiando os Programas Setoriais de Qualidade por meio das seguintes ações:
Um dos desafios para o posterior desenvolvimento e consolidação dos PSQs é a integração dos mesmos por meio de Programas Intersetoriais da Qualidade.
Ações Mobilizadoras
O alcance das metas de conformidade leva o Governo também a articular uma série de ações mobilizadoras de combate à não-conformidade, envolvendo agentes do governo e agentes privados, especialmente com relação a:
- sistemas de financiamento do Governo (BNDES, FINEP, Banco do Brasil e outros), passando a financiar
quem produz e constrói com qualidade;
- programas habitacionais, com a exigência de utilização de materiais com qualidade
comprovada;
- comprador institucional (governos estaduais, municipais e COHABs), Rede de Revendas e Construtores,
divulgando relação dos fornecedores que produzem com qualidade.