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Prédios são recordistas em uso de energia

Seminário apontará soluções para aumentar a eficiência energética e hídrica na construção civil. As edificações públicas, comerciais e residenciais são as maiores responsáveis pelo consumo de energia do país (42% do total), e uma das principais consumidoras de água, com 20% dos gastos. Os números preocupam o setor da construção civil, que já vem se mobilizando para criar soluções que reduzam o desperdício em prédios residenciais ou comerciais, com o desenvolvimento de tecnologias que permitam diminuir os impactos ambientais. O tema será um dos assuntos debatidos no 5º Seminário Atualização Tecnológica em Sistemas Prediais. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Projetistas de Sistemas Prediais – Regional MG (Abrasip/MG), durante a realização da Expoconstrução – Minas 2008, vai discutir temas ligados à sustentabilidade das edificações e à importância de as construtoras adotarem medidas alternativas para a redução dos impactos ambientais. De acordo com o diretor executivo da Green Building Council Brasil, Nelson Kawakami, apesar de já haver uma exigência do consumidor pelo respeito ao meio ambiente, atualmente não existe nenhuma lei que exija padrões mínimos na construção que permitam a preservação dos recursos hídricos e energéticos, fazendo com que o desperdício de bens naturais atinja índices elevados. Kawakami será um dos palestrantes do seminário, que acontece quinta e sexta-feira. Regulamentação – Atualmente, existem algumas determinações que buscam regulamentar a atividade construtora, porém nenhuma delas é obrigatória. De acordo com o gerente de Eficiência Energética do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Fernando Simon Westphal, dentre as determinações destacam-se a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), certificação que regulamenta as construções “ecologicamente responsáveis”, implantada no país em 2004, e o Projeto Procel Edifica, que faz investimentos em pesquisas e laboratórios que forneçam os subsídios necessários ao aumento da eficiência energética das edificações no Brasil e tem grandes chances de se tornar obrigatório a partir de 2012. “Uma outra exigência – esta sim já faz parte da legislação – não está diretamente relacionada às edificações, mas busca conter o uso indiscriminado dos recursos naturais”, aponta Westphal. É a Lei de Eficiência Energética (nº 10.295), de 2001, que obriga fabricantes e importadores de máquinas e aparelhos consumidores de energia a adotar as medidas de eficiência energética. Kawakami defende a aplicação da LEED. “A certificação, que é voluntária e já esta sendo usada no Brasil por vários empreendedores, pode ajudar o mercado da construção civil na busca de melhores resultados ambientais ao planeta como a redução de 30% a 50% do consumo de água, diminui em até 60% os resíduos da obra que são destinados para aterros sanitários, reduz em 30% os gastos com energia e em até 35% as emissões de CO2”, afirma. Os debates vão acontecer na sexta-feira, a partir das 14 horas. Serão três palestras distintas: “A importância do tema da sustentabilidade na construção civil e Certificação Internacional LEED”, ministrada pelo representante do Green Building Council no Brasil (GBC), o engenheiro Nelson Kawakami; “Conservação de água e energia em empreendimentos”, apresentada pela gerente de Planejamento da Produção e Novos Negócios da Tesis, a engenheira Carla Sautchuk; e “Eficiência energética integrada ao projeto de edificações”, que contará com a presença do gerente de Eficiência Energética do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), o engenheiro Fernando Simon Westphal. REPORTAGEM LOCAL Certificação estimula construções verdes A discussão ganha força no cenário nacional na medida que o mercado assiste ao crescimento da construção civil. Só em Belo Horizonte, entre janeiro e junho de 2008, o número de lançamentos residenciais e comerciais chegou a 1,964 mil unidades, um crescimento de 50,58% em relação ao ano passado, de acordo com dados do Sindicado da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Destes, ainda é pequeno o percentual de construtoras dispostas a levar para o consumidor final opções que equilibrem valores econômicos, ecológicos e sociais. Nelson Kawakami, do GBC, acredita que o Brasil tem trilhado um caminho positivo em busca da sustentabilidade, e Sul e Sudeste encabeçam a lista das regiões mais avançadas nesse sentido. “A LEED foi implantada nos Estados Unidos há pouco tempo. No Brasil, o primeiro projeto a atender as especificações da norma foi em 2004. De lá para cá, esse número tem sido cada vez maior, dando mostras da adesão dos empresários ao sistema”, afirma. A LEED foi criada por um conselho aberto e voluntário de nível mundial, o U.S Green Building Council (USGBC), que congrega lideranças de vários setores da indústria da construção. É uma espécie de networking, um processo de troca de conhecimento, em contínuo desenvolvimento e aperfeiçoamento, que abastece o mercado de idéias e informações que visam promover e transformar a construção convencional em construção sustentada. No país, a certificação é regulamentada pelo Green Building Council Brasil. As medidas para reduzir os impactos ecológicos são simples, na opinião de Kawakami, e não representam um grande ônus para o construtor, pois passam pelo reaproveitamento de materiais recicláveis e reuso de produtos. “O custo de uma obra que atende os princípios ambientais é de 5% a 10% a mais em relação ao valor normal daquela construção, no caso de prédios comerciais. Para os residenciais, esse percentual fica em torno de 2% a 4%. Em ambos os casos, podem ser instalados sistemas de iluminação que busquem a redução do consumo de energia e equipamentos de reaproveitamento da água das chuvas, por exemplo”. Água – A utilização dos recursos hídricos e energéticos também será tema da segunda palestra da sexta-feira. Com o tema “Conservação de água e energia em empreendimentos”, a engenheira Carla Sautchuk vai contextualizar o panorama da água atualmente, explorando a gestão da demanda do recurso através do uso de tecnologias economizadoras e ressaltando a administração de fontes alternativas deste bem natural: aproveitamento da chuva e reutilização de água. Um importante fato citado pela palestrante diz respeito à legislação atualmente em vigor, na qual não há obrigatoriedade de aplicação de projetos ecologicamente corretos e que evitem o desperdício de insumos. “Esta obrigatoriedade existe em alguns lugares do país, mas abrange apenas o projeto e a construção de prédios públicos, não há nada que regulamente projetos residenciais”, afirma Carla Sautchuk. A engenheira acredita, no entanto, na transformação dessa consciência. “A indústria nacional tem buscado inovações tecnológicas no uso racional de água e, em alguns casos, estão à frente de países dos Estados Unidos ou da Europa”, acrescenta.

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