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O cenário econômico nacional e a Construção Civil

Redação: Daniel Ítalo Richard Furletti  e Ieda Maria Pereira Vasconcelos *

No início de 2018 as mais diversas estimativas para a economia nacional indicavam incremento do PIB entre 2,5% a 3%.  Esperava-se que, após a grave recessão que se abateu sobre o País entre o 2º trimestre 2014 e o 4º trimestre de 2016, o ano 2018 finalmente seria mais próspero.   Contribuíam para este otimismo a inflação sob controle, que inclusive tinha encerrado 2017 abaixo do piso da meta, o retorno, mesmo que modesto, da geração de emprego com carteira assinada, o crescimento de 1% observado em 2017, a redução da taxa de juros, a expectativa de aprovação de reformas estruturais, em especial a da previdência, e o retorno da confiança de empresários e consumidores.

Após o fim do primeiro semestre a perspectiva já não é tão alentadora e o tom mais otimista das projeções ficou para trás, dando lugar a uma crescente preocupação com o futuro próximo. Motivos não faltam: a reforma da previdência foi postergada acirrando a incerteza fiscal, a velocidade da retomada das atividades não aconteceu conforme o previsto, a greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, evidenciou ainda mais as fragilidades existentes, a confiança de empresários e consumidores voltou a ficar abalada e o cenário político é bastante conturbado.  Para completar o desgaste, o ambiente externo ficou menos favorável para as economias emergentes. A disputa comercial entre chineses e norte-americanos e o aumento dos juros nos Estados Unidos provocam apreensão. Vale destacar, ainda, que o Brasil recentemente assistiu a uma desvalorização do real.

 Atualmente a projeção de crescimento da economia nacional está em 1,5% e a conjuntura mais conturbada. No curto prazo, a instabilidade provocada pelo quadro eleitoral e as incertezas em relação ao caminho fiscal que será adotado pelo novo mandatário do País geram inquietações e postergam os investimentos, tão necessários para fazer o País crescer de forma sustentada. Sem investimento não tem consumo, não tem renda, não tem tributos e não tem emprego. Sem investimento a economia não terá dinamismo e continuará a passos lentos.

Neste ambiente observa-se, ainda, o fraco desempenho de setores estratégicos para o desenvolvimento nacional, como a Construção Civil. Depois de registrar queda superior a 20% em suas atividades nos últimos quatro anos e perder quase um milhão de trabalhadores com carteira assinada, o setor vê a projeção do seu crescimento em 2018 cair de 2% para modesto 0,5%. Uma situação difícil de acreditar para um País com tantas carências básicas como o Brasil. Considerando uma hipótese de crescimento de 0,5% ao ano somente em 2062 a Construção voltaria ao patamar de 2013.

Sempre é bom lembrar que a Construção é um setor estratégico do ponto de vista socioeconômico. Social devido ao seu produto. Basta olhar ao redor para se observar a gritante necessidade de moradias, hospitais, escolas e obras de infraestrutura. Do ponto de vista econômico, devido a sua extensa cadeia produtiva, o setor propaga emprego, renda e tributos por toda a economia. Em Minas Gerais, por exemplo, o investimento de R$ 10 milhões em obras gera cerca de 400 novas ocupações conforme dados da Fundação Getúlio Vargas.

Espera-se que o ciclo vicioso onde incertezas emperram investimentos, inibem o consumo, e a maior geração de emprego na economia não avance. É necessário enfrentar os problemas, em especial os de natureza fiscal, para se elaborar uma agenda positiva para o País.  Neste sentido, as reformas estruturais, como a previdenciária, a tributária e a administrativa, são inevitáveis.  É preciso mudar a economia e melhorar o ambiente de negócios.

Sem dúvidas, a economia saiu do seu vale depressivo. Mas ainda não se observa um novo ciclo de crescimento.  O País precisa avançar e, para isso, precisa fazer as escolhas certas. Neste sentido, sair do discurso e trabalhar efetivamente na melhoria das contas públicas e incentivar os setores estratégicos, como a Construção Civil, são caminhos a percorrer para acelerar a atividade econômica.

  • Daniel Ítalo Richard Furletti – Economista – Coordenador Sindical do Sinduscon-MG.
  • Ieda Maria Pereira Vasconcelos – Economista – Assessora Econômica do Sinduscon-MG.

 

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