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Mulheres no canteiro de obras

Ingrid Furtado Rímel nos olhos e batom nos lábios dão charme em ambientes de trabalho pesado, considerados exclusividade dos homens. Sem sair do salto, elas carregam areia, brita para cima e para baixo e o carrinho de mão se transformou em ferramenta fundamental na vida de 43 mulheres, moradoras do Bairro Florença, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, uma das áreas mais carentes do estado. Sem perder a feminilidade, donas-de-casa e estudantes vão contra o ditado popular: não descansam enquanto carregam pedras. E, apesar das mãos calejadas pelo trabalho duro, não falta nem mesmo o esmalte. Junto com 37 homens, elas fazem parte da primeira turma de calceteiros do projeto Usina do Trabalho, uma das linhas do Programa Travessia, do governo do estado. Durante os dois meses de curso, os alunos põem a mão na massa e aplicam, na própria comunidade, o que aprenderam em sala de aula. Eles já calçaram sete ruas do bairro onde moram e hoje, último dia de aula, vão receber uma bolsa-auxílio de R$ 400, como incentivo. O que chamou a atenção dos coordenadores da iniciativa foi o elevado número de mulheres interessadas no serviço de pedreiro. O perfeccionismo é elogiado no canteiro de obras e algumas até trabalham de touca, para evitar a poeira nos cabelos. Mesmo com a vaidade em alta, não há problemas e o alto astral do ambiente é motivo de boas gargalhadas no trabalho. “Sei abrir buraco e calçar ruas. Vendo cosméticos, mas a renda ainda é insuficiente. O serviço é pesado, mas não ligo” Valdete Viana da Silva, dona-de-casa O curso inclui matérias de hidráulica, alvenaria, matemática e os alunos aprendem a usar escalímetros, metragem de tubulação, entre outras disciplinas. Em Ribeirão das Neves, é nossa primeira turma e percebemos grande variedade de pessoas. Há desde analfabetos até estudantes universitários”, explica o coordenador Amaury Vieira de Souza. Ele observa ainda que nas aulas teóricas, os alunos aprendem noções de cidadania, recebem kits de pedreiro com pá, colher, desempenadeira e equipamentos de proteção individual. O subsecretário de estado de Trabalho, Emprego e Renda, Antônio Eduardo de Noronha Amabile, explica que a iniciativa já ocorre em cinco municípios mineiros. “A essência do programa é de que, além de aprender um ofício, as pessoas produzem um trabalho social na comunidade onde moram. Há também cursos de culinária e nossa expectativa é de que novas turmas sejam abertas no segundo semestre”, afirma.

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