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Indústria, construção e consumo fazem PIB disparar

Três ingredientes fizeram o bolo da economia brasileira crescer acima do previsto no primeiro trimestre. O consumo das famílias brasileiras continua em alta, a indústria mantém-se como o setor econômico que mais cresce e a construção civil mostra que o incentivo dado pelo crédito mais barato e fácil chegou de vez aos números do segmento. Os três, somados, mostram que o mercado interno em expansão continua ditando o bom ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas geradas) do país. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março (ou seja, a partir de abril do ano passado), ele aumentou 5,8%. É a maior taxa desde a mudança metodológica no cálculo do indicador feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1996. Comparando os três primeiros meses deste ano com o mesmo período de 2007, a expansão também foi, coincidentemente, de 5,8%. A construção civil cresceu 6,9%, a maior taxa desde o segundo trimestre de 2004. O consumo das famílias aumentou 6,6% comparado a 2007, em seu 18° mês consecutivo de expansão. Já a indústria, como um todo (a construção civil é um dos seus segmentos), foi o principal destaque da economia no início deste ano, com expansão de 6,9% em relação aos três primeiros meses de 2007. Os números estão acima da previsão dos analistas do mercado financeiro ouvidos toda semana pelo Banco Central. A projeção era de um crescimento de 5,66% no primeiro trimestre. O número superior ao aguardado pode ser interpretado pelo mercado de duas formas (a resposta definitiva só virá nos próximos dias, depois de alguns pregões): pelo lado positivo, é um sinal a mais para o governo manter a política econômica, o que não desagrada ao mercado; por outro lado, numa das formas de comparação, o PIB já mostra sinais de desaceleração. Se relacionado, por exemplo, aos três meses imediatamente anteriores (outubro, novembro e dezembro passados), a economia brasileira aumentou apenas 0,7%. É um resultado bem inferior ao registrado em trimestres anteriores – nos quatro trimestres de 2007, a variação foi de 1%, 1,5%, 1,8% e 1,6%, por exemplo (veja quadro nesta página). O governo comemorou os números ressaltando essa ambigüidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que o crescimento do PIB ajudará a conter a inflação, já que manteria o equilíbrio entre a oferta e a demanda, evitando o descontrole dos preços. “O país se encontrou. Estou convencido de que vamos permanecer assim por muitos anos, não é vôo de galinha”, disse Lula. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi na mesma linha. Ao mesmo tempo em que ressaltava a manutenção da expansão do PIB, lembrava que a desaceleração do consumo entre os dois últimos trimestres mostra que o país poderá manter o crescimento sem superaquecer a economia. No início deste ano, o consumo das famílias aumentou 6,6%. É um percentual ainda razoável, mas inferior ao do último trimestre de 2007, de 8,6%. A aposta de Lula, Mantega e, de resto, de toda a equipe econômica, é exatamente nessa conciliação: PIB em alta, mas nem tanto. O receio de superaquecimento, manifestado por economistas de fora e de dentro do governo, ganhou força pelos últimos números da inflação. Segunda-feira, o BC divulgou a projeção do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, usado pelo governo no regime de metas): 5,4%, acima do alvo de 4,5% que a autoridade monetária terá de cumprir. Exatamente por isso, o BC aumentou a taxa básica de juros em abril e este mês (foram duas altas de meio ponto percentual, levando a Selic de 11,25% ao ano para 12,25%). Juros maiores, em tese, tornam mais caras as operações de financiamento, atingindo tanto o consumo das famílias quanto os investimentos feitos pelas empresas. “A novidade desse PIB é que nós temos uma convergência maior entre a demanda, que é o consumo das famílias, e a oferta, que é o investimento. Não quer dizer que a demanda caiu, ela apenas perdeu uma parte do seu ímpeto, desacelerou e caminha mais próxima da oferta, portanto, afasta problemas inflacionários”, disse Mantega. O lado negativo foi o aumento do consumo do governo e a queda da exportações. O primeiro apresentou crescimento de 5,8%, ante o primeiro trimestre de 2007. “O consumo do governo cresceu de forma atípica e pontual por causa do ano eleitoral, que limita os gastos em investimentos públicos até julho. Em anos assim, as administrações públicas tendem a gastar mais no primeiro trimestre”, explica a técnica do IBGE e pesquisadora do PIB, Cláudia Dionísio. Já as exportações pesaram negativamente no resultado do PIB por conta da valorização cambial. VARIAÇÃO PIB por setores no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2007 (Em %) INDÚSTRIA 6,9 Extrativa mineral 3,3 Transformação 7,3 Construção civil 8,8 Eletricidade, gás e água 5,5 AGROPECUÁRIA 2,4 SERVIÇOS 5 Comércio 7,7 Transporte, armazenagem e correio 3,7 Serviços de informação 9,5 Intermediação financeira, seguros, previdência 15,2 Outros serviços 2,6 Atividades imobiliárias e aluguel 2,1 Saúde e educação públicas 1,1 “O país se encontrou. Estou convencido de que vamos permanecer assim por muitos anos, não é vôo de galinha” – Luiz Inácio Lula da Silva – Presidente da República “A novidade é que nós temos uma convergência maior entre o consumo das famílias e o investimento” – Guido Mantega – Ministro da Fazenda “Minha preocupação é com o aumento do consumo do governo, acima do verificado no passado” – Robson Andrade – Presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) “O lado bom é que os números mostram que o PIB continua crescendo, mas não de forma explosiva” – Júlio Sérgio Gomes de Almeida – Consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi)

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