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IGP-DI tem maior alta em mais de cinco anos

Rio – Pressionada por elevações de preços no atacado, no varejo e na construção civil, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) atingiu em maio o maior nível mensal em mais de cinco anos, com alta de 1,88%, ante 1,12% em abril, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também foi a taxa mais elevada para um mês de maio desde o Plano Real, de 1994. O resultado surpreendeu o mercado financeiro, que projetava, no máximo, 1,80%. A FGV acredita que o resultado tenha sido apenas um “pico”, influenciado por fatores sazonais que não devem se repetir neste mês. A origem viria em especial do setor atacadista, ou seja, é esperado um recuo na inflação de junho. Entretanto, a taxa acumulada em 12 meses do índice até maio já atinge 12,14%, a maior em mais de três anos. Embora não seja mais usada para reajustar a tarifa de telefone, a taxa acumulada do IGP-DI ainda indexa as dívidas dos estados com a União. “Com a entrada de taxas mensais maiores na série histórica do IGP-DI, a taxa acumulada em 12 meses deve aumentar”, afirmou o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Ele não descartou que o resultado acumulado possa atingir 13% em junho. Assim como nos três meses anteriores, a elevação de preços mais intensa no atacado (de 1,30% para 2,22%) foi a principal responsável pelo avanço. Em maio, a inflação do atacado foi fortemente pressionada por aumentos nos preços das matérias-primas, principalmente de arroz em casca (15,98%) e minério de ferro (11,38%). Outro fator que contribuiu para a alta foi a disparada no preço do óleo diesel (de 0,67% para 7,19%). Varejo – O varejo também pressionou a taxa do IGP-DI e aumentou de 0,72% em abril para 0,87% em maio, devido à forte elevação de preços no setor de alimentação (de 1,69% para 2,33%). Para o analista da consultoria Tendências Gian Barbosa, houve “um desempenho menos favorável dos alimentos in natura”. A batata-inglesa foi um dos destaques: de – 0,37% em abril para 18,87% em maio. Embora de menor peso na formação do IGP-DI, em comparação com as evoluções de preços no atacado e no varejo, a inflação na construção civil surpreendeu em maio, com alta de 2,02%, mais do que o dobro da apurada em abril (0,87%) e a mais intensa em três anos. “Os preços da construção civil subiram 1,77% em maio, a mais forte alta desde outubro de 2004”, disse Quadros. O núcleo do índice em maio, usado para mensurar tendências e calculado a partir da exclusão das variações de preço mais expressivas no varejo (para cima ou para baixo), subiu 0,44%. Foi o mais elevado desde maio de 2005, quando subiu 0,73%. “Isso significa que, no varejo, está havendo repasse (dos aumentos do atacado), e as elevações estão apresentando um certo grau de disseminação”, afirmou. Para o economista, este cenário “fortalece a recomendação do Banco Central” de manter a curva de alta dos juros. (AE)

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