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Construção teme desaceleração em 2009

Cautela provocada pela turbulência externa deve provocar a redução de lançamentos pelas empresas. A construção, mesmo dispondo de liquidez, deverá enfrentar retração na comercialização de novos projetos A indústria da construção civil em Minas prevê forte desaceleração em 2009. Segundo representantes de construtoras e entidades do segmento, a cautela provocada pelas turbulências externas acarretará na redução de lançamentos. A retração do crescimento do setor, considerado o alicerce da economia brasileira, já era prevista para o próximo ano, devido à forte base de comparação dos últimos dois anos e será agravada em decorrência da crise de liquidez no mercado financeiro norte-americano. Com a previsão de retração mais intensa, o setor já fala em brecar lançamentos e na possibilidade de rever investimentos. Mesmo com a segurança que blinda o mercado imobiliário primário no país, partindo da formação do segmento por recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) – com regras predefinidas e juros tabelados -, a expectativa é de redução nas vendas além do esperado. De acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, haverá redução de ritmo e oferta no setor, já que a crise do crédito afeta o humor do consumidor. Porém, numa expectativa otimista, ele espera que isso ocorra no longo prazo, dando tempo para as empresas se resguardarem. “Ninguém sabe quais serão os reflexos concretos da crise. O problema certamente já causou um grave ferimento no mercado financeiro mundial e mesmo que não atinja diretamente a construção civil, afetará, no longo prazo, a trilha de bom desempenho e recuperação do setor dos últimos dois anos”, disse Simão. Para ele, é certo que um dos efeitos da turbulência externa, no que diz respeito ao crédito para casa própria e para construtores, será mais rigor nas análises, sobretudo de empreendimentos. “As próprias empresas terão mais cuidado nos lançamentos”, afirmou. Crédito – Segundo Simão, “não faltará crédito para o mercado, as instituições só ficarão mais rígidas, mesmo que seja na disponibilidade de recursos tabelados, como FGTS e SBPE”, completou o presidente da CBIC. Ele ressaltou que a crise deve persistir em 2009 e, em uma previsão “esperançosa”, não avançará em 2010. O que preocupa é a retração nas vendas, segundo o diretor Comercial da Construtora Habitare, Alexandre Soares. “Nós ainda não sentimos recuo, já que a crise estourou mesmo há aproximadamente três semanas, mas os reflexos virão”, alertou. Para Soares, o setor imobiliário brasileiro não sofrerá tanto quanto o dos outros países, pois possui uma proteção forte, principalmente em relação à inadimplência. Pelo menos 30% do produto é pago antes de ser entregue, dando maior segurança ao mercado e evitando perdas dos ativos das construtoras, ao contrário do que houve nos EUA, com a crise do subprime, que desencadeou a crise. MARX FERNANDES

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