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Construção sustentável

Transformar resíduos em matéria- prima para novas obras é a idéia viabilizada no site www.bolsaderecicláveis.com.br Alessandra Mizher Quando o assunto é construção, logo se imagina um monte de entulho e restos de materiais não-utilizados que perderam qualquer utilidade na obra. Além do desperdício e do aumento de custos com a retirada dos canteiros de obra, o entulho representa outra preocupação: o impacto ambiental. Para amenizar o problema e transformar resíduos da construção em matéria-prima para novas obras foi criado o “Banco de Terra, Banco de Entulho e Agregado Reciclado”, projeto do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A iniciativa, pioneira no país, foi apresentada na última semana a empresários, construtores, transportadores, aterros licenciados, receptores e geradores de resíduos em geral. Trata-se de um serviço gratuito virtual, disponível no site www.bolsadereciclaveis.com.br, no qual os interessados poderão anunciar suas ofertas, efetuar a compra de terra, entulho e agregado reciclado, bem como fazer doações ou a troca dos mesmos. Como explica Eduardo Henrique Moreira, vice-presidente da área de materiais, tecnologia e meio ambiente do Sinduscon-MG, essa é uma oportunidade para que os interessados conheçam as ofertas disponíveis e possam negociar. “Um dos principais incentivadores para o surgimento do projeto foi a necessidade de aproximar ofertantes e demandantes. Até então, não existia um mercado onde os interessados podiam recorrer para comprar ou mesmo oferecer a terra, entulho ou agregado reciclado”, conta Moreira. Ele explica que o agregado reciclado é o resultado do beneficiamento do entulho, possibilitando a sua reinserção no processo produtivo. Segundo Moreira, já na solenidade de lançamento, uma grande construtora do Estado encontrou um interessado nos 50 mil metros cúbicos de terra retirados de uma obra. “A empresa receptora estava a apenas 10 km do canteiro de obras da doadora e só ficou sabendo da oferta graças ao banco”, completa. Separação. Entretanto, é fundamental que o entulho tenha sido separado e selecionado de forma que o interessado identifique facilmente o que pode ou não ser de sua utilidade. Assim, muitos materiais como azulejo, cerâmica, reboco, tijolo ou telhas podem virar sub-produto para outros materiais. “O projeto estava em estudo há três anos e agora acaba de ganhar notoriedade no mercado”, revela Moreira. Com a ação, torna-se possível a redução de custos para os construtores, que em alguns casos não precisarão mais arcar com o transporte até o destino final do entulho, pois a tarefa poderá ficar a cargo do interessado nos produtos. Por sua vez, o interessado no produto conseguirá resolver seu problema com baixo custo. Outro ponto positivo é a destinação ambientalmente correta e a conseqüente redução da emissão de gases poluentes em decorrência da otimização da destinação do resíduo. A iniciativa também contribui para inibir a disposição irregular de resíduos em margens de vias, rodovias, leitos de rios, mananciais e lotes vagos, entre outros lugares, além de reduzir os custos da destinação dos resíduos gerados no processo produtivo no setor da construção. “Esse projeto veio somar a outras iniciativas relacionadas a políticas de controle de restos da construção civil e chega em um momento especial, principalmente pelo aumento dos resíduos gerados pelo setor, como conseqüência do aquecimento do mesmo e também pelo término da vida útil da área de aterramento do depósito sanitário de Belo Horizonte, localizado na BR-040”, revela Edmundo Martins, diretor operacional da Superintendência de Limpeza Urbana da Prefeitura de Belo Horizonte (SLU/PBH). Números. Segundo dados da SLU, a construção civil é responsável por boa parte dos resíduos sólidos encaminhados aos aterros, índice que pode chegar a 40%. Em 2007, o total de entulho e de terra coletados pela SLU/PBH foi de 700.046 toneladas, sendo 46% de terra. Ou seja, 322 mil toneladas era terra pura e o restante, 54% – ou 378 mil toneladas -, de entulho.

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