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Construção mais dependente do governo

Com o problema de liquidez no mundo, setor está encontrando dificuldades para contrair empréstimos. A escassez de crédito no mercado interno levará a indústria da construção pesada de Minas Gerais a depender ainda mais da demanda do setor público, a exemplo do que ocorreu nos anos 70, durante o período do “milagre”, que culminou com o “fechamento das torneiras” na gestão Collor, no início dos 90, que fez com que o segmento mergulhasse em profunda crise e buscasse a diversificação das atividades. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), Marcus Vinícius Salum, a situação é preocupante, com reflexos no curto prazo. Para representantes das empresas, os contratos continuam de pé, mas a falta de recursos já atinge o segmento. “Ainda não percebemos nenhuma revisão de investimentos significativa, mas já temos relatos de empresas que não conseguiram crédito no mercado. Os bancos estão retendo o dinheiro com a crise internacional”, avaliou. Ainda é cedo para saber quais serão os reais reflexos no setor, de acordo com ele. No curto prazo, os respingos dos problemas financeiros no mundo viriam na forma do crédito restrito ou inexistente para empresas do setor, além de aumento das taxas de juros, conforme o presidente do Sicepot-MG. “Só temos certeza de que a situação precisará ser restabelecida, já no curto prazo, quando os primeiros reflexos do problema aparecerem”, alertou. Para Salum, quando a atividade econômica diminui deixa de gerar investimentos, ou seja, menos negócios para o setor. Há uma expectativa em redução do ritmo de crescimento nos próximos três meses, segundo o diretor comercial da Montag Construções e Sistemas Industriais, Sérgio Mendes de Oliveira. “Porém, não tomamos atitudes drásticas em relação à situação internacional”, afirmou. Conforme Oliveira, os grandes clientes do setor como Companhia Vale do Rio Doce (Vale), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), ArcelorMittal, entre outros, não deixarão de investir. “Eles só farão os aportes de forma mais seletiva”, explicou. A Montag não está sentindo os reflexos da crise no mercado internacional no momento, segundo Oliveira. A empresa vive hoje uma etapa de reestruturação dos negócios, com a revisão do crescimento para 2008. “O crescimento a qualquer custo está descartado pela empresa. Nosso foco é segurança na rentabilidade”, disse. Para isso, o faturamento em 2008 será de um terço dos R$ 58 milhões apresentado em 2007. De acordo com Oliveira, os custos estão altos, com contratos que eram atraentes no momento do fechamento, mas após um ano de obras se tornam pouco rentáveis. No cenário atual, os custos com mão-de-obra, crédito, taxas, equipamentos e insumos seriam ainda mais pesados. As mineradoras representam 30% do faturamento da Montag, assim como o setor de papel e celulose, também com 30%. Os segmentos de siderurgia, metalurgia, fundição e cimento correspondem aos outros 40%. O setor da construção pesada fechou o primeiro semestre do ano com crescimento de 3,5% no faturamento das empresas, segundo Salum. MARX FERNANDES Dólar contamina empresas Nova Délhi – O estouro da bolha cambial, que a equipe econômica vê como uma espécie de subprime tropical, pode ter contaminado pelo menos 200 empresas brasileiras. A informação sobre o número de empresas surpreendidas pela disparada do dólar e dependuradas em operações financeiras que previam ganhos com dólar mais barato foi levada ao Planalto na semana passada. Segundo uma fonte do primeiro escalão do governo, a informação sobre a quantidade de empresas brasileiras contaminadas pela crise preocupou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levou à decisão de adiar de quarta para quinta-feira passada a viagem para os Estados Unidos, para participar da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles – os dois já estavam em São Paulo e, ao contrário do anunciado na quinta-feira, não foram chamados de volta a Brasília para afinar o discurso na reunião do FMI. A mesma fonte disse que o governo, depois das reuniões do presidente com Mantega e Meirelles, ficou seguro de que grande parte das empresas afetadas tem caixa para assumir os compromissos contratados e absorverá os prejuízos. No dia seguinte à reunião, o governo recebeu a informação de que, como Sadia e Aracruz, mais uma grande empresa ia se manifestar sobre prejuízos semelhantes. O braço industrial da Votorantim divulgou prejuízos com operações financeiras de alto risco (derivativo cambial) de R$ 2,2 bilhões. Em nota, a empresa afirmou que a exposição cambial “decorrente de operações de swap com verificação em dólar foi totalmente eliminada”. O Banco Votorantim soltou um comunicado informando que não teve participação na formação das operações de swap com verificação em dólar feitas pelo grupo nem registrou “prejuízo com a eliminação das referidas operações”. (AE) Licença de Jirau sai até o fim do ano Rio – O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, prevê para até o fim do ano a concessão da licença ambiental para a construção da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. A Licença Prévia (LP) já havia sido concedida na gestão de sua antecessora, Marina Silva, mas está sendo revista porque houve uma modificação no projeto original, que deslocou em nove quilômetros o local da barragem. “Na questão ambiental aparentemente não haverá mudança no impacto”, disse o ministro, após participar do 3º Fórum Internacional Brasil-Japão, ontem, na sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio. Segundo ele, o problema agora é garantir segurança jurídica, para que a obra não seja embargada pela Justiça. “Minha aposta é que (a licença) sai este ano, sobretudo pelo apoio que estamos tendo da Advocacia-Geral da União (AGU).” Do ponto de vista ambiental, lembrou Minc, o plano do governo para amenizar as mudanças climáticas é continuar investindo na matriz energética de fontes renováveis. (AE)

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