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Construção civil e a crise

Lincoln Raydan – Gerente regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP-MG) Quando em 2006 o Estado de Minas publicou artigo sobre o movimento empresarial “Comunidade da construção”, poucas pessoas do setor conheciam a iniciativa idealizada e implantada em 2002 pela Associação Brasileira de Cimentos Portland (ABCP). Hoje, abrange 17 pólos no país, que integram 200 construtoras, 15 instituições de ensino e 20 entidades representativas, entre elas, Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece). A comunidade é um movimento amplo, que busca, a médio prazo, promover a integração da cadeia produtiva dos sistemas à base de cimento, o aumento de sua competitividade, a redução dos desperdícios da construção civil e a melhoria do seu desempenho. A iniciativa tem três ciclos: no primeiro e segundo, o pólo de Belo Horizonte trabalhou o sistema estruturas de concreto, com os programas de melhorias e obras acompanhadas, respectivamente – as empresas mineiras participantes desses ciclos tiveram crescimento de 20% no desempenho de suas ações. O terceiro, em andamento este ano, trata um tema atual e muito importante, “a industrialização e racionalização na construção”. Para demonstrar o caráter democrático da comunidade, foi realizada pesquisa entre os participantes (20 construtoras, 10 fornecedores, projetistas e entidades setoriais, entre outras) para a escolha de três sistemas de maior importância para o desenvolvimento das ações dentro dos temas definidos: Revestimento em argamassa para fachadas, Parede de concreto e Alvenaria estrutural. A escolha do tema do terceiro ciclo se deve ao momento que o país atravessa e sua articulação pode ser vista em função da mudança de mentalidade, de postura e de atitude de uma boa parcela de construtores, engenheiros e demais profissionais do setor da construção civil frente à nova realidade imposta por um crescimento jamais visto nos últimos 25 anos. O número de empregos diretos gerados pelo setor aumentou mais de 50% entre janeiro de 2004 e julho de 2008: 2,1 milhões. De 2004 a 2007, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 19,3% e a construção, 22,4%; em 2008, o país deverá crescer mais 4,8% e o setor, mais de 10%. Estes números certamente deverão mudar, começando ainda por este ano, em função do momento econômico mundial. Porém, sabe-se que, ainda que haja algum descompasso, não se regressará aos níveis dos últimos 20 anos e, sim, deverá se manter em um nível de atividade bastante superior, em face das obras já contratadas, dos recursos alocados e dos cronogramas em andamento. O reflexo maior será em 2009, mas nada que se compare à nova depressão norte-americana, principalmente quanto aos financiamentos dos mutuários brasileiros, que deverão pular de R$ 18,3 bilhões em 2007 para R$ 26 bilhões este ano. Para enfrentar esse vigoroso e positivo momento que enfrenta a construção civil, o Brasil exige de empresas e profissionais níveis de qualificação mais avançados e melhor desempenho de sistemas construtivos. A escassez da mão-de-obra qualificada e os prazos das obras cada vez menores são questões importantes que remetem o setor à necessidade da industrialização e racionalização dos sistemas construtivos e dos canteiros de obras. “A Comunidade da construção”, em consonância com o que ocorre na economia mundial, mais do que nunca está preparada para apresentar ao mercado os sistemas que melhor se adaptam ao momento atual da construção. E mais, tudo isso elaborado conjuntamente com toda a cadeia produtiva dos sistemas à base de cimento. É o velho jargão, sempre presente e atual: a união faz a força.

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