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Classe média dita novo modelo para imóveis residenciais

Uma vaga de garagem e suíte não são mais plus. Os empreendimentos imobiliários voltados para a classe média estão sendo reconfigurados para atender a um novo perfil de consumidor, muito mais exigente. O que antes só era disponibilizado para imóveis de alto-luxo, como espaço gourmet e fitness, hoje já pode ser encontrado em apartamentos que custam entre R$ 60 mil e R$ 120 mil. Vaga de garagem e suíte não figuram mais como um plus. Esse cenário está atribuído ao crescimento da classe C, que hoje responde por 51,89% da população, e o conseqüente aumento do poder aquisitivo. De acordo com o diretor de Programas Habitacionais do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), André de Souza Lima Campos, com melhor poder aquisitivo o consumidor passa a exigir mais. “Hoje, por exemplo, existe uma demanda por condomínios fechados, com mais opções de lazer e segurança”, afirmou o diretor. Essa tendência, segundo ele, demonstra que o consumidor está buscando por mais segurança nos residenciais em virtude do aumento da violência nas grandes cidades. “Boa parte dos novos empreendimentos possui guarita com segurança 24 horas”, afirmou. Além disso, os prédios e condomínios contam com sistemas de alarme e circuito interno de TV. Apesar disso, o diretor do sindicato lembrou que esses novos espaços não são construídos com o mesmo padrão encontrado nos residenciais voltados para as classes A e B. Carona – Outra mudança percebida nas configurações dos residenciais voltados para a classe média foi o aumento no número de vagas de garagem. “Há alguns anos eram construídos aglomerados de prédios com poucas vagas de estacionamento. Hoje, devemos disponibilizar espaço para dois veículos, no mínimo”, disse o diretor do Sinduscon-MG. Esse aumento, acrescentou Campos, também é reflexo dos resultados da indústria automotiva. As vendas de veículos crescem de forma significativa devido ao ganho real na renda da população e a ampliação da oferta de crédito no mercado. De acordo com os últimos dados do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado de Minas Gerais (Sincodiv-MG), os emplacamentos no Estado aumentaram 36,66% no acumulado de janeiro a julho de 2008 em relação ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros sete meses do ano, foram aproximadamente 329 mil unidades emplacadas em Minas Gerais. Segundo Campos, apesar do avanço da classe média que, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), hoje responde por 51,89% da população e possui renda entre R$ 1.064 a R$ 4.591, as construtoras devem focar as ações no mercado voltado para a baixa renda. Conforme ele, a maior parte do deficit habitacional do país, algo em torno de 88 milhões de unidades, está na classe D. Mercado – A indústria da construção civil está aquecida em todo o país. Em Minas Gerais, por exemplo, as estimativas apontam para um crescimento de 6% em 2008 na comparação com o ano passado. O boom imobiliário é provocado pelo ganho real na renda da população e pela facilidade de crédito. “Hoje os financiamentos possuem prazos de até 30 anos”, afirmou Campos. Para se ter uma idéia, os recursos para operações de crédito imobiliário do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 12,931 bilhões no primeiro semestre de 2008. Isso representa um incremento de 86% na comparação com os primeiros seis meses do exercício passado. RAFAEL TOMAZ Tenda oferece opções de lazer como diferencial A Construtora Tenda S/A vem investindo em melhorias nos diferenciais de seus empreendimentos para atrair o consumidor da classe C. Alguns lançamentos apresentam um maior número de opções de lazer e segurança para atender às exigências dos clientes, hoje com maior poder aquisitivo. “É um público moderno, que utiliza a Internet e com maior poder de consumo”, afirmou o diretor executivo da construtora, André Vieira. Conforme ele, o consumidor é mais exigente e foi preciso mudar as configurações dos empreendimentos imobiliários. Entre as novas opções estão área de churrasco, espaço gourmet, playground e cyber room. “Esses residenciais estão ficando similares aos empreendimentos voltados para as classes A e B”, afirmou o diretor-executivo. De acordo com ele, o processo de mudança está acontecendo de forma gradual e deverá ter continuidade nos próximos anos. “Hoje, por exemplo, a ampliação no número de vagas de estacionamento não é considerado um grande diferencial”, afirmou Vieira. O diretor comparou esse processo às mudanças ocorridas no setor automotivo. Segundo ele, há alguns anos os carros populares não possuíam nenhum opcional, como, por exemplo, ar condicionado, direção hidraúlica e vidros elétricos. “Com a ampliação do mercado e a oferta de crédito encontramos todos esses intens neste segmento devido ao poder de compra do consumidor”, disse. Expansão – A Construtora Tenda S/A registrou um incremento de 301,0% no volume de unidades vendidas no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do exercício passado. No acumulado de janeiro a junho, foram vendidas 9,741 mil moradias ante 2,429 mil em igual intervalo de 2007. O valor das vendas contratadas da Tenda cresceu 318,2% nos primeiros seis meses de 2008 em comparação com o primeiro semestre do ano passado. No período, o resultado foi R$ 724,1 milhões, enquanto no acumulado de janeiro a junho de 2007 foi de R$ 173,2 milhões. Nos primeiros seis meses do ano a construtora lançou 15,250 mil unidades no mercado, volume 236,6% superior ao registrado em 2007. O Valor Geral de Vendas (VGV) da Tenda foi de R$ 1,159 bilhão até junho. Além do aquecimento do mercado, os números positivos também resultam da preparação da construtora mineira para ampliar o seu mercado. Em 2007, a empresa abriu o capital. Desde outubro do ano passado, as ações da companhia passaram a ser negociadas no Novo Mercado da Bovespa. O diretor ainda informou que vários processos operacionais internos foram revistos. (RT) MRV: mais segurança As alterações verificadas nos empreendimentos imobiliários voltados para a classe C têm sido provocadas pela mudança no perfil do público, que hoje é mais jovem. A opinião é do diretor comercial da MRV Engenharia, Rodrigo Colares. O consumidor procura por empreendimentos que focam o paisagismo, lazer e segurança. Além disso, os clientes estão buscando apartamentos mais compactos por serem práticos. De acordo com ele, os residenciais devem atender aos anseios de toda a família. “Procuramos agradar as crianças, adolescentes e adultos”, disse. Conforme ele, esses diferenciais são variados e dependem do porte e localização do empreendimento. Em alguns lançamentos, conforme ele, possuem até mesmo piscina e quadras de esporte. Além disso, para atender ao público infantil são instalados nesses residencias brinquedotecas e playground. Outra forte tendência nos lançamentos imobiliários, de acordo com o diretor da construtora, é o investimento em tecnologia. Segundo ele, estão sendo incluídos nos residenciais áreas com acesso à internet. As vendas contratadas da MRV Engenharia aumentaram 197,3% no acumulado de janeiro a junho deste ano, na comparação com os seis primeiros meses do ano passado. No período o resultado foi de R$ 820,8 milhões, conforme os dados da empresa. (RT)

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